Depois do Tesouro Direto, os títulos bancários são a segunda parada natural de quem sai da poupança. O princípio é o mesmo: você empresta dinheiro (agora para um banco) e recebe juros. A diferença está em quem garante, quanto paga e como o imposto morde. Vamos ao essencial.
O que é cada um
- CDB (Certificado de Depósito Bancário): o empréstimo clássico ao banco. Normalmente rende um percentual do CDI: "100% do CDI", "110% do CDI". Paga imposto de renda pela tabela regressiva (de 22,5% a 15% sobre o rendimento).
- LCI (Letra de Crédito Imobiliário): o banco usa o dinheiro para financiar o setor imobiliário. O atrativo: isenta de IR para pessoa física.
- LCA (Letra de Crédito do Agronegócio): igual à LCI, mas o destino é o agronegócio. Também isenta de IR.
A conta que ninguém faz: líquido é o que importa
Um CDB de 110% do CDI parece melhor que uma LCI de 95% do CDI, mas o CDB paga imposto e a LCI não. A comparação certa é pelo rendimento líquido:
Equivalência rápida (prazo acima de 2 anos, IR de 15%): LCI de 95% do CDI ≈ CDB de 95 ÷ 0,85 ≈ 112% do CDI. Ou seja: para empatar com essa LCI, o CDB precisaria pagar 112% do CDI. Para prazos menores, com IR maior, a vantagem da LCI cresce ainda mais.
Em reais, para não ficar só na teoria: R$ 20.000 aplicados por 2 anos, com CDI a 12% ao ano. Num CDB de 110% do CDI, o rendimento bruto no período gira em torno de R$ 5.280, e depois do IR de 15% sobre o ganho (prazo acima de 720 dias), sobram cerca de R$ 4.488 líquidos. Na LCI de 95% do CDI, o rendimento bruto é menor, cerca de R$ 4.560, mas como não há IR, o líquido final também fica perto de R$ 4.560, cerca de R$ 72 a mais que o CDB, mesmo com uma taxa nominal "pior". A isenção da LCI não é um detalhe cosmético: ela muda o resultado final no bolso.
A rede de segurança: FGC
CDB, LCI e LCA contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos: se o banco quebrar, o FGC devolve até R$ 250 mil por CPF por instituição (com teto global de R$ 1 milhão renovável a cada 4 anos). É por isso que bancos médios conseguem oferecer taxas maiores que os bancões: o risco extra é amortecido pela garantia. Regra prática: não passe de R$ 250 mil (já contando os juros futuros) num mesmo banco.
Liquidez: o detalhe que muda tudo
- Liquidez diária: resgata quando quiser, o que é ideal para reserva de emergência (CDBs de 100%+ do CDI com liquidez diária cumprem bem o papel).
- No vencimento: o dinheiro fica preso até a data combinada e, em troca, a taxa é maior. LCIs e LCAs têm ainda uma carência mínima definida por regulação; não servem para emergência.
- Precisou sair antes? Alguns títulos permitem venda no mercado secundário, geralmente com deságio. Trate como exceção, não como plano.
Como escolher na prática
- Defina o prazo primeiro: emergência → liquidez diária; 1-2 anos → CDB/LCI curtos; mais de 2 anos → aí vale caçar taxa.
- Compare tudo em "% do CDI líquido" usando a equivalência acima.
- Respeite o teto do FGC por instituição.
- Desconfie de taxas irreais: muito acima do mercado = risco maior do banco emissor. O FGC protege, mas o resgate pode demorar meses.