O Tesouro Direto é o programa que permite a qualquer pessoa emprestar dinheiro para o governo federal a partir de cerca de R$ 30 e receber juros por isso. É considerado o investimento mais seguro do país, porque quem garante o pagamento é o próprio Tesouro Nacional, a instituição que emite a moeda. Neste guia, você vai entender os três tipos de título, qual serve para cada objetivo e como começar hoje.
Os três tipos de título
Tesouro Selic: o coringa
Rende a taxa Selic, dia após dia, e praticamente não oscila: se você vender antes do vencimento, recebe o valor acumulado até ali. Por isso é o título ideal para a reserva de emergência e para dinheiro de curto prazo. É o único título do Tesouro que não te dá sustos no extrato.
Tesouro Prefixado: a taxa travada
Você trava uma taxa fixa no ato (por exemplo, 12% ao ano) e sabe exatamente quanto receberá no vencimento. A pegadinha: se os juros do mercado subirem depois da sua compra, o preço do seu título cai no meio do caminho, no efeito conhecido como marcação a mercado. Vendendo antes da hora, você pode ter prejuízo; levando até o fim, recebe o combinado. Prefixado é aposta de que os juros vão cair.
Tesouro IPCA+: a proteção contra a inflação
Paga a variação da inflação (IPCA) mais uma taxa fixa (por exemplo, IPCA + 6%). É o único investimento que garante, por contrato, que seu dinheiro vencerá a inflação até o vencimento. Por isso é o favorito para aposentadoria e objetivos de longo prazo. Também sofre marcação a mercado no meio do caminho, e as versões "com juros semestrais" pingam renda a cada 6 meses.
| Título | Melhor para | Oscila antes do vencimento? |
|---|---|---|
| Tesouro Selic | Reserva de emergência, curto prazo | Praticamente não |
| Tesouro Prefixado | Objetivo com data certa + aposta na queda dos juros | Sim, bastante |
| Tesouro IPCA+ | Longo prazo, aposentadoria | Sim, bastante |
Custos e impostos
- Taxa da B3: 0,20% ao ano sobre o valor investido, com isenção para até R$ 10 mil aplicados em Tesouro Selic.
- Imposto de renda: tabela regressiva sobre o rendimento, sendo 22,5% até 180 dias, 20% até 360, 17,5% até 720 e 15% acima de 2 anos. Quanto mais tempo, menos imposto.
- IOF: só nos primeiros 30 dias. Depois disso, zero.
- Corretagem: a maioria das corretoras não cobra nada para Tesouro Direto.
Por que vale esperar: imagine R$ 10.000 de rendimento resgatados com 8 meses de aplicação, na faixa de 20% de IR: ficam R$ 8.000 líquidos. O mesmo rendimento, resgatado depois de completar 2 anos, paga só 15%: ficam R$ 8.500. São R$ 500 a mais só por ter esperado mais alguns meses, sem fazer nada além de não mexer no dinheiro.
O passo a passo na prática
- Abra conta em uma corretora (gratuito) e transfira o valor.
- Na plataforma, escolha o título de acordo com o objetivo, usando a tabela acima como guia.
- Invista e deixe os juros compostos trabalharem. O dinheiro fica em seu nome, custodiado na B3. Se a corretora quebrar, seus títulos continuam seus.
- Só venda antes do vencimento se for Tesouro Selic ou emergência real. Nos outros, vender no meio pode significar prejuízo.
Regra de bolso: dinheiro que você pode precisar a qualquer momento → Tesouro Selic. Data certa no futuro (entrada do apartamento em 3 anos) → Prefixado ou IPCA+ com vencimento próximo da data. Aposentadoria → IPCA+ longo. Nunca compre um título cujo vencimento não combina com seu objetivo.